“Tu fazes sacrifício, e eu faço sacrifício também, o que pode haver de melhor? A luta da grandeza de alma. Para que então felicidade conjugal?”.
Felicidade Conjugal é uma novela escrita por Lev Tolstói, publicada em 1859, que conta a história de Mária Aleksândrovna e Sierguiéi Mikháilitch (mas, de tão atual, facilmente, poderia ser a história de Valentina, em 2023).
A história é narrada em primeira pessoa por Mária e começa com suas memórias dos dezessete anos, com a morte de sua mãe. Uma menina do campo, que vivia com sua irmã Sônia e a governanta Kátia.
Sierguiéi Mikháilovitch é um velho amigo de seu falecido pai, nomeado tutor de Mária e sua irmã. Com trinta e seis anos já havia desistido de se casar: “Há muito tempos que todos deixaram de me encarar como alguém passível de se casar. (...) Só tenho vontade de ficar sentado. E, para casar, é preciso outra coisa”.
Quando confrontado com a ideia de
se casar com Mária, diz: “não seria para você uma infelicidade unir a sua vida
a um homem velho, já vivido, que só quer ficar sentado, enquanto você tem Deus
sabe que ideias fervilhando na mente, Deus sabe que vontades?”.
Sierguiéi sabe das coisas. Sua perspectiva de vida é uma vida pacata no campo. Sem a agitação ou a corrupção da sociedade urbana.
As expectativas de Mária? Parece que nem ela sabe ao certo. "Chegou a primavera. A minha angústia primeira passou, sendo substituída pela angústia dos devaneios primaveris, dos desejos e esperanças incompreensíveis".
Aqui, destaco que desde antes do casamento o tema do desejo já é fulcral para Mária.
Mas, a
despeito das diferenças e expectativas distintas, a paixão floresce entre ambos. A relação paternal acaba se transformando em algo mais e, eventualmente, Mária e Sierguiéi se casam e assim
termina a primeira parte do livro.
Não há nenhum grande spoiler aqui, já que o próprio título do livro e os primeiros capítulos já remetem de pronto a esta união.
A segunda parte narra a vida já
de casados de ambos. E, é aqui que a história realmente acontece e onde Tolstói
descreve com maestria o desenrolar de uma vida conjugal já prenunciada por Sierguiéi.
Mária conta sobre seus desejos, seu amadurecimento, suas mudanças, descobertas,
infelicidades.
Mária, em sua juventude, sente-se inquieta na vida no campo. A paixão inicial já não lhe é suficiente. Deseja ver o mundo, fazer parte da sociedade.
Em dado momento, Sierguiéi murmura dois versos:
...E o insensato quer tormenta,
Como se nela houvesse paz!
Ele é capaz de ler Mária melhor que ela mesma.
Segundo o tradutor da edição que li (da Editora 34), Boris Schnaiderman, "Com um talento incomum para descrever os estados de alma de suas personagens, Tolstói põe em destaque a figura da jovem e bela Mária, que narra as várias etapas de sua vida amorosa, desde o primeiro despertar dos sentidos até o momento em que, tendo experimento por si mesma o absurdo da existência, ela pode, enfim, voltar à própria vida".
É uma leitura rápida, fluida, incrível.
E, a cada livro, Tolstói vai se consolidando como meu autor russo
preferido.
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Com carinho,
Fê

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