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Mostrando postagens de novembro, 2023

Tolstói e Tolstaia

  “Todas as famílias felizes são parecidas, cada família infeliz é infeliz a seu próprio modo”.  A frase de abertura de Ana Karenina pode facilmente se aplicar a estas três obras reunidas – e à própria família de Tolstói. O livro Tolstói e Tolstaia , pela Editora Carambaia, reúne “ A Sonata a Kreutzer ”, de Lev Tolstói (que já fiz a resenha) e duas novelas de sua esposa, Sófia Tolstaia: “ De quem é a culpa? ” e “ Canção sem palavras ”, ambas de publicação póstuma (a primeira em 1994 e a segunda somente em 2010).  Tolstaia em seu diário narra “Não sei como e por que ligaram Sonata Kreutzer à nossa vida conjugal, porém isso é um fato ” e, assim, sua resposta surge por meio das duas novelas. O livro conta, ainda, com um posfácio a Sonata Kreutzer escrito pelo próprio Tolstói, depois da publicação da obra, em que ele conta o que há do seu próprio pensamento naquela obra tão controvertida.   Tem, mais, dois textos de apoio que fazem a correlação entre as três obras....

Emma, de Jane Austen

  Confesso que quando iniciei Emma, da Jane Austen , a leitura não me prendeu desde logo.  Comecei a ler em meados de outubro, li um pouco, a personagem principal me irritou um pouco. Larguei por um mês, retomei e terminei em quatro dias, porque depois que a história engrena, Jane Austen prova – mais uma vez – porque ela é Jane Austen. Segundo Virginia Woolf: "Quem tem a ousadia de escrever sobre Jane Austen está ciente de que (...) de todos os grandes escritores ela é a mais difícil de apreender no ato de grandeza". Mas lá vou eu ter a ousadia de falar sobre Emma. Ao passo em que não deseja um casamento para si – por ter fortuna e pretender ficar aos cuidados do pai hipocondríaco (o qual, aliás, rende momentos de muitas risadas) – Emma Woodhouse se vê como uma grande casamenteira, capaz de decifrar os corações e as mentes de todos ao seu redor.  Ela se julga superior em inteligência, beleza, posição social, é admirada por todos em seu círculo, mas a despeito de sua boa...

Felicidade conjugal - Lev Tolstói

“Tu fazes sacrifício, e eu faço sacrifício também, o que pode haver de melhor? A luta da grandeza de alma. Para que então felicidade conjugal?”. Felicidade Conjugal é uma novela escrita por Lev Tolstói , publicada em 1859, que conta a história de Mária Aleksândrovna e Sierguiéi Mikháilitch (mas, de tão atual, facilmente, poderia ser a história de Valentina, em 2023). A história é narrada em primeira pessoa por Mária e começa com suas memórias dos dezessete anos, com a morte de sua mãe.  Uma menina do campo, que vivia com sua irmã Sônia e a governanta Kátia.  Sierguiéi Mikháilovitch é um velho amigo de seu falecido pai, nomeado tutor de Mária e sua irmã. Com trinta e seis anos já havia desistido de se casar: “Há muito tempos que todos deixaram de me encarar como alguém passível de se casar. (...) Só tenho vontade de ficar sentado. E, para casar, é preciso outra coisa” . Quando confrontado com a ideia de se casar com Mária, diz: “não seria para você uma infelicidade unir a ...

Por que falar de literatura?

 Olá, pessoal! Hoje vim contar um pouco para vocês da minha história com os livros e por que eu resolvi começar a falar de literatura por aqui - e pelo Instagram também (aliás, me acompanhe lá, @fe.caputo ). Desde criança, sempre fui incentivada a ter contato com livros, especialmente pelo meu pai, que é um grande bibliófilo. Lembro de ter começado a ler com uns cinco anos e, desde então, nunca mais parei. Esta sou eu, com uns onze anos, me esbaldando em um sebo. Uma criança peculiar. Ao longo da adolescência, um pouco deslocada na escola (tinha apenas uma amiga), os livros sempre foram um refúgio onde eu encontrava mil outros mundos e vivia mil outras vidas. Ali, tudo era possível. Depois, na época da faculdade de Oceanografia, atravessando a cidade entre ônibus e metrô - em uma época em que smartphones sequer existiam - os livros eram minha companhia diária para a solidão daquelas longas viagens. Com o trabalho, a rotina, estudos para concursos, fui aos poucos deixando os livros ...

Quem sou eu e por que criar este blog?

Olá, pessoal, tudo bem? Por mais fora de moda que pareça ser ter um blog, foi este o meio que consegui pensar para criar um "site", levando em consideração toda a minha limitação tecnológica! Já faz um tempo que eu gostaria de retomar meu projeto de compartilhamento de conteúdo relacionado a estudos e literatura, com produção de um material próprio, com vídeos e textos, e acredito que agora eu conseguirei desenvolver essa minha ideia! Para quem ainda não me conhece, meu nome é Fernanda Caputo , sou servidora pública estadual, no Tribunal de Justiça de São Paulo, também sou bacharel em Oceanografia pela Universidade de São Paulo e em Direito pela Universidade Paulista. Em 2017 eu comecei um projeto pelo YouTube para auxiliar os concurseiros que se preparavam para o concurso de escrevente do TJSP, mas dadas certas circunstâncias da vida - mudança de local de trabalho, casamento, mudança de cidade, doença na família - acabei deixando aquele projeto um pouco de lado. Hoje, já...