“Todas as famílias felizes são parecidas, cada família infeliz é infeliz a seu próprio modo”.
A frase de abertura de Ana Karenina pode facilmente se aplicar a estas
três obras reunidas – e à própria família de Tolstói.
O livro Tolstói e Tolstaia, pela Editora Carambaia, reúne “A Sonata a Kreutzer”, de Lev Tolstói (que já fiz a resenha) e duas novelas de sua esposa, Sófia Tolstaia: “De quem é a culpa?” e “Canção sem palavras”, ambas de publicação póstuma (a primeira em 1994 e a segunda somente em 2010).
Tolstaia em seu diário narra “Não
sei como e por que ligaram Sonata Kreutzer à nossa vida conjugal, porém isso é
um fato” e, assim, sua resposta surge por meio das duas novelas.
O livro conta,
ainda, com um posfácio a Sonata Kreutzer escrito pelo próprio Tolstói, depois
da publicação da obra, em que ele conta o que há do seu próprio pensamento
naquela obra tão controvertida. Tem, mais,
dois textos de apoio que fazem a correlação entre as três obras. É uma edição
realmente muito boa e que vale a pena ser adquirida.
Em “De quem é a
culpa?”, Sófia Tolstaia apresenta uma história muito semelhante a Felicidade
Conjugal e a Sonata Kreutzer. Uma moça jovem de 17 anos, Anna, acaba se casando
com um amigo da família, mais velho, de 35 anos, o príncipe Prózorski. Ele, um
libertino, vivido, tomado pelos desejos carnais. Ela, inocente, arrebatada pela
ideia de um amor romântico, que, ao final, acaba se deparando com a realidade do
casamento imposta por seu marido, com indiferença aos filhos, falta de
identidade e medo.
“Anna sentia-se
alquebrada, triste e doente. (...). “Será que apenas nisso está nossa vocação
feminina, passar, de um corpo a serviço de uma criança de peito, ao corpo a
serviço do marido? E isso alternadamente – para sempre! E onde está a minha
vida?”.
A história se
desenrola entre os ciúmes de Anna, sua modificação – “decidiu subitamente que,
se seu poder estava na beleza, saberia aproveitar-se dela (...) resolveu que
não apenas o marido não se afastaria dela, como se tornaria seu escravo” – os ciúmes
do marido, um amor platônico com Dmítri Bekhmétiev, a morte. É uma história
incrível que conversa a todo tempo com Sonata Kreutzer, inclusive com notas de
rodapé.
Já a segunda
novela, “Canção sem palavras” conta a história de Aleksandra Aleksêievna (Sacha), que
inicia a história devastada pela morte de sua mãe. É uma referência à própria
Sófia Tolstaia que perdera um filho pequeno. Aqui, o marido de Aleksandra
diferente de todos os outros maridos das histórias, é um homem pacífico, amoroso,
mas sem grandes atrativos intelectuais que detesta música - embora Sacha a ame acaba abandonando o piano para não incomodar o marido.
Para amainar a dor de Aleksandra, a família se muda para uma casa de verão, onde o vizinho Ivan Ilitch é um compositor que toca piano – e a música tem um efeito arrebatador em Aleksandra. Aqui, uma relação com o efeito da música, criticada por Tolstói em Sonata Kreutzer. A música, o amor, a loucura. É uma outra história fenomenal.
Tolstaia resume, nas duas obras, sua resposta a seu esposo: “Toda mulher só ama de verdade uma vez. Ela ama o seu amor, que
conserva até a ocasião. Mas, uma vez que o entregou, valoriza-o, guarda-o e
fecha os olhos para os defeitos daquele ao qual se entregou. (...) e, se
acontece de uma mulher casada amar outro homem, o culpado quase sempre é o
marido; ele não soube satisfazer as exigências poéticas manifestadas por uma
natureza feminina jovem, pura, destruiu-as, dando em troca apenas o lado rude
do matrimônio. Desgraça se um ou outro soube ocupar o lugar vazio que o marido
não ocupou, quando é sempre aquele primeiro amor, idealizado, transferido para um
outro”.
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Título: Tolstói & TolstaiaTradução: Irineu Franco Perpetuo
Editora: Carambaia
488 páginas
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