Olá!
A resenha de hoje é sobre o livro mais inesperado da minha lista de leituras realizadas neste ano.
Eu havia visto algumas pessoas lendo coisas desta autora, mas não procurei saber muito sobre ela, até que me interessei pela história de "Longa pétala de mar" e acabei comprando o livro, acrescentando-a à minha imensa lista de livros a serem lidos.
Acabei olhando mais alguns livros da autora e vi que "A casa dos espíritos" estava entre seus mais famosos e mais vendidos. Com certo preconceito com o título, achando ser algo relativo a espiritismo, não fiquei muito atraída e deixei passar.
Um dia, na Livraria da Vila, vi uma promoção de livros da Record por $35 e ele estava entre os livros, quase pela metade do valor original. Resolvi levar pois sei que não o compraria em outra ocasião.
Não sei exatamente o porquê, mas peguei para folhear em um momento em que a leitura de "O nome da rosa", do Umberto Eco não estava fluindo. Fui lendo algumas páginas e quando me dei conta já estava lá pela página 30. Decidi continuar e não me arrependi.
A história é narrada em terceira pessoa por uma narradora da família e em primeira pessoa por Esteban Trueba, o patriarca da família. Ao final do livro é explicada a dinâmica desta forma de narração e foi sensacional entender as transições.
Inicia-se com a história de Rosa del Valle, uma jovem de indescritível beleza e cabelos verdes. Mas, o centro da história é sua irmã Clara dotada de estranhos poderes mentais, como fazer saleiros se movimentarem e falar com mortos.
Aqui, o realismo fantástico típico da literatura latino-americana se mistura com a narrativa da história dos del Valle e dos Trueba.
Se você, assim como eu, não é lá muito fã de coisas sobrenaturais, pode acabar não lendo o livro por esta primeira impressão, mas o sobrenatural não é o centro da história. É apenas um elemento dentro desta trama familiar - que é realmente incrível.
Ao longo da história vamos acompanhando o crescimento de Esteban Trueba, que vai de um pobretão explorador de minas a um grande latifundiário e político conservador. Um homem truculento, irascível, mas apaixonado por sua esposa. Vemos a história de um país inominado (que é o Chile), passando por diversas décadas, guerras, o crescimento do socialismo até a ditadura militar, através da história das mulheres da família Trueba. Clara, Blanca, Alba e seus relacionamentos vão moldando a narrativa.
A primeira metade do livro é um pouco arrastada, fiquei um pouco incomodada com algumas partes com violência e palavrões, mas fui compreendendo o seu papel dentro da construção do personagem de Esteban. A partir da segunda metade a história ganha mais ritmo, o contexto político ganha mais destaque e é inevitável não pensar que o país narrado no livro poderia ser qualquer um dos países sul americanos que se submeteram a ditaduras militares. A história das mulheres Trueba é muito fascinante e envolvente, é impossível não querer continuar lendo para saber no que vai dar. A escrita de Isabel Allende é muito boa, bem construída, fluida.
Uma coisa importante a ser mencionada, é que Isabel Allende é sobrinha de Salvador Allende, que foi o fundador do Partido Socialista no Chile e foi eleito presidente, tendo governado entre 1970 a 1973, quando foi deposto pelo golpe militar que colocou Augusto Pinochet no poder. Esta proximidade é importante porque há um claro viés político no livro mas que não diminui em nada a história em si.
Eu devo confessar que o desenvolvimento da trama familiar me interessou muito mais do que a parte que foca mais nos eventos políticos, pois acho que é possível ver dentro de cada personagem alguém que conhecemos no nosso dia a dia. Quem não tem um tio meio místico, uma prima meio sovina, um revolucionário de Iphone, um avô meio truculento, uma avó amorosa, uma prima que engravidou de um renegado... rs
Eu só não dou 5 estrelas porque a primeira parte é meio arrastada e não é um livro que eu voltaria a ler, embora tenha sido bem legal a experiência de ler algo diferente.
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